Carlos

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Carlos

Encolhido ao lado do pequeno sofá de couro preto, Carlos está com o rosto completamente curvado, o que faz com que as lágrimas quentes caiam direto sobre o jeans de sua calça ou sobre o chão, sem antes escorrer por seu rosto.
No canto oposto da sala, perto da grande porta de vidro manchada de sangue, o corpo inerte de Letícia enfeita a sala, combinando com as fotos penduradas na parede do que um dia foi um casal feliz. Carlos prende a respiração por alguns segundos e processa sua realidade atual. Acabara de matar sua noiva, a única mulher importante em sua vida depois que sua mãe faleceu quando ele ainda era garoto. A confusão em sua mente começa a tomar forma, e Carlos percebe que precisa apagar essa parte de sua vida e se encaixar novamente no mundo, ou então será apenas mais um deles, apenas mais um mordedor inútil na multidão.
Não pensou em vingança, afinal ela transformou-se numa dessas coisas sem motivo aparente e provavelmente a maioria dos outros coitados também, mas prometeu, ajoelhado rente ao corpo de sua Letícia, que jamais substituiria seu lugar. Beijou-lhe os lábios gélidos e acariciou seus cabelos longos cabelos macios pela ultima vez. Ultrapassou a porta e não olhou para trás.
Esse mesmo homem em luto deu inicio ao movimento rebelde que lentamente tomou dimensões assombrosas e, ao seu comando, começou uma perigosa batalha contra a autoridade do escasso governo.
Carlos, jovem e respeitado líder, terá suas emoções e esforços abalados com a chegada de Elisa e seu inofensivo grupo.
Façam suas apostas.

Fernanda Oz